quinta-feira, abril 16, 2009

A Preservação da Cultura Indígena

Dos milhões para os milhares, essa foi a trajetória dos índios no Brasil. De primeiros habitantes da terra brasileira, transformaram-se em párias em seu antigo território. O extermínio foi de monta e muito da cultura indígena se perdeu. Com os índios, os imigrantes aprenderam o valor da natureza, a higiene pessoal, a importância da interação com o meio ambiente.Em meio ao extermínio físico e ao violento processo de apropriação de terras dos indígenas, também a cultura foi sofrendo os reflexos da desorganização de todo um modo de vida. Com isso, e como as línguas têm uma tessitura com a marca oralidade, muitos desses idiomas se perderam a ponto de nunca mais poderem ser recuperados. Mas ainda há muito o que preservar para que o legado dos povos indígenas possa continuar a ser um elemento presente na formação do povo brasileiro.A degravação das línguas indígenas é um projeto que está sendo executado pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Intitulado programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Brasileiras, tem como objetivo registrar cerca de 20 línguas dos nativos. Esses códigos orais estão correndo sério risco de desaparecer e a iniciativa quer preservá-las para patrimônio do país e da humanidade. Para tanto, estão sendo usados modernos mecanismos de coleta. É a tecnologia a serviço da cultura, com aparelhos digitais sendo empregados para gravações das vozes dos falantes indígenas, bem como conversações e interações verbais. O público-alvo da pesquisa são os jovens, mas também os mais velhos, após um período de uma relativa resistência, já começaram a fazer parte do grupo que fornece o objeto de estudo.O primeiro grupo da etnia indígena a participar do trabalho é o dos kuikuros do Alto Xingu (MT). A meta é elaborar uma gramática, um dicionário e material digitalizado dessa comunidade. Estima-se que haja hoje no país cerca de 180 línguas faladas pelos índios, sendo que muitas delas correm o risco de desaparecer se nada for feito para codificá-las para além do reduzido número de usuários desses códigos linguísticos. Manter vivas essas linguagens faz parte da preservação da identidade desses povos que contribuíram, em grande medida, para o acervo da cultura brasileira.
(EDITORIAL do Correio do Povo de 16 de abril de 2009.)

2 comentários:

Léo Minelli disse...

É de alta importância o que fazem ao coletar e ao agrupar tais informações... Por certas fontes, os idiomas indígenas são mais antigos que o Latim, e mesmo assim não recebem a atenção devida do mundo.

Bem que o Brasil faz em coletar esse tipo de cultura!

Pablo Juarez Viera Czyzeski disse...

É de suma importância que consigamos resolver esse problema!

Não me refiro somente às questões relevadas aqui, mas em toda a amplitude referente a defesa dos povos indígenas.

Outrora presenciei uma cena terrível, na Universidade, instiguei as pessoas sobre a questão do princípio da territorialidade, referindo-me que o Estado é indivisível, nesse ponto argüi sobre o que fazer então quanto aos povos indígenas?
A resposta mais dolorosa possível, exterminar seria genial solução!

Há que se lembrar que todos somos humanos, em um Estado Democrático, mesmo com diferenças legais, mas, ainda e sempre seremos todos iguais, pessoas...

É mais do que preciso que o Brasil conserve e consiga cada vez mais provar que cultura não é só o que o nosso medíocre povo construiu com as novelas da globo, mas sim, resgatar tudo aquilo que um dia foi e ainda é implicitamente, a origem, a essência da nossa condição atual provado inclusive pelas cláusulas pétreas, conseguimos graças aos povos que nos constituíram enquanto cidadãos, os quais nem reconhecidos são.

Devemos lutar pela igualdade e desejar que consigamos alcançar e respeitar todos os direitos que emanam no nosso mundo.